“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria,
ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros;
com salmos, hinos e cânticos espirituais cantando ao Senhor com graça em vosso coração.”
Colossenses 3.16

Queridos irmãos e irmãs,

É com grande alegria e gratidão que temos hoje em nossas mãos o nosso livro de salmos e hinos. Essa é uma compilação para a adoração em nossas congregações e em todas as reuniões dessa igreja. Pela bondade e auxílio do Senhor, e após um período de dois anos de trabalho, temos aqui uma seleção inicial de 85 Salmos e Hinos. Esse número será gradativamente ampliado ao longo dos meses e anos conforme novos Salmos e hinos forem selecionados.

Deus não nos deixou à mercê de nossa imaginação e arbítrio para decidir de modo subjetivo o formato e o conteúdo de Sua adoração. Ele mesmo instituiu as normas e os princípios reguladores a serem seguidos pelo Seu povo. O Deus revelado nas Escrituras, o nosso Deus, é um Deus de ordem, pois Ele estabeleceu todas as coisas necessárias para nosso relacionamento com Ele. Assim também é caracterizada Sua adoração, pois ela foi instituída também por Ele! Deste modo, a influência da subjetividade humana com seus gostos e inclinações não deve ser o critério condutor na seleção de hinos para a adoração a Deus pelo povo de Deus. Assim, quando se trata da adoração do Deus Triúno em Sua Igreja, toda reverência e submissão aos princípios estabelecidos por Ele mesmo, em Sua própria Palavra e para Sua Própria adoração, devem ser seguidos.

Esta subjetividade humana que interfere na adoração tem marcado inúmeros projetos de organização de hinários e livros de música para uso nas igrejas pelas várias denominações cristãs nos anos recentes. Em muitos desses hinários o critério de seleção e escolha de hinos é caracterizado por um foco no indivíduo (o crente e seus sentimentos e aspirações), mais do que no próprio Deus, conforme Ele é revelado em Sua Palavra, e nas doutrinas da soberana graça de Deus. Esta é uma grande falha, porem característica de nossa era tão relativista e antropocêntrica.

Assim, na formação desse livro de Salmos e Hinos, desejamos honrar diretrizes bíblicas e padrões históricos que destacam as qualidades mínimas necessárias para a composição e seleção de bons hinos. O Pr. Peter Masters em seu livro Louvor em Crise apresenta as seguintes diretrizes úteis:

1 “O primeiro padrão de um hino de qualidade é que ele deve refletir o exemplo e o método dos Salmos - o Hinário do Antigo Testamento, inspirado por Deus. Em diversas maneiras o livro dos Salmos deveria moldar os hinos compostos pelo homem. Os hinos, por exemplo, deveriam imitar os tópicos apresentados nos Salmos e o equilíbrio dos componentes do louvor. Talvez o maior afastamento do louvor de nossos dias quando comparado aos hinos tradicionais, é que o novo louvor de nossos dias abandonou o princípio dos Salmos. O novo louvor certamente usa alguns Salmos selecionados, mas em seus novos cânticos e hinos, o padrão “intelectual” dos Salmos é ignorado, bem como a sua dignidade, reverência, caráter elevado, estilo de louvor e equilíbrio de doutrinas”.

2 “O segundo padrão para um hino excelente é a edificação do adorador. O hino lhe acrescentará algo. Talvez o hino explicará e aplicará a Palavra ao coração do adorador. Dará uma oportunidade a uma resposta sincera aquilo que foi entendido. Como um Salmo o hino deve ser profundo e, ao mesmo tempo, assimilável ao entendimento de qualquer pessoa, mas nunca será complexo demais à mente humana. Este é o padrão dos Salmos, nem muito elevado, nem muito superficial (diferente dos cânticos modernos que são quase sempre superficiais). Um hino excelente terá a capacidade de esclarecerá verdades bíblicas e abordará frequentemente algum aspecto definido de nossa experiência espiritual. Isto é o que procuramos em um hino: algo bom, substancial, que eleve nossa alma e seja relativamente simples. Bons hinos instruem pessoas de todas as classes sociais nas grandes doutrinas cristãs. Muitos hinos do passado, diferentemente dos cânticos modernos, tratavam de verdades consistentes e ajudavam a desenvolver crentes maduros e profundos. A pergunta sugerida por Paulo: “isto edifica?” pode ser aplicada aos cânticos e hinos de nossos dias. O que eles tem realmente proporcionado? Tem elevado meu entendimento e santidade? Tem me ajudado a crescer não apenas em um nível emocional, mas também em um nível verdadeiramente espiritual?”

3 “O terceiro padrão de um hino e valor é a reverência. O hino irá se dirigir ao Deus Todo-Poderoso. Não será meramente sentimental. Não tratará a Deus como um “camarada”. Terá reverencia dirigindo-se àquele que é sublime e elevado. Mais uma vez devemos insistir que o hino seja inteligente (racional), visto que isso constitui uma parte da reverência. Como posso mostrar reverência a Deus se canto uma música banal que contem, talvez, apenas quatro palavras eficazes? Certamente estarei insultando a Deus e rebaixando-O ao nível infantil. Se um hino não é inteligente, nada fará por nós, nem será digno de ser cantado ao Deus Todo-Poderoso”. 

4 “O quarto padrão para um hino excelente é a apresentação clara de doutrinas. O hino não pode ser ambíguo nem vago. Deve ser claro a ponto de ofender as pessoas, se estas não acreditam na opinião ou na doutrina. Se um hino é tão inofensivo que goza de aceitação geral, é claro que está se desviando do padrão. Se escritores procuram falar de maneira vaga e genérica, de modo que pessoas de qualquer religião apreciem suas palavras, podem não estar produzindo hinos dignos. Se satisfazem todas as posições teológicas, como podem estar ampliando o entendimento daqueles que louvam a Deus? É interessante observar que as musicas, cânticos e hinos do louvor contemporâneo são muitíssimos populares entre evangélicos liberais, neopentecostais, e congregações católicas em todo lugar. O efeito de hinos e cânticos vagos e superficiais é extremamente prejudicial para uma igreja fiel, porque treinam as pessoas a adorarem apenas com a metade de sua sinceridade e seriedade. Se desejamos ensinar a igreja a cantar sem entendimento firme e sinceridade, então cânticos e hinos vagos ou com arranjos belíssimos e ideias sem significado atingirão esse objetivo. As pessoas aprenderão a aceitar o “louvor medíocre” e logo serão obrigadas a obter mais prazer na música do que nas palavras”.

5 “O quinto padrão de um hino excelente é que ele deve evitar versos excessivamente requintados e ter clareza de expressão. Um hino excelente não é um exercício de embelezamento poético. Não sufoca os seus sentimentos (os sentimento do hino) com excesso de eloquência e requinte, porque o povo de Deus deve cantar com entendimento (1 Cor. 14.15). Os bons escritores de hinos possuíam sempre um grande vocabulário, mas claramente restringiam o seu uso, para que a letra fosse entendida. O peta secular é livre para exaltar-se a si mesmo e exibir seus dotes, mas um hino é bem diferente de um poema secular. A característica dos grandes hinos é a combinação de profundidade e simplicidade”.

6 “O sexto padrão de um hino excelente é que ele será caracterizado por uma rima sensível e boa estrutura... não apresenta linhas forçadas ou “pequenos erros”... sustenta e desenvolve seu tema através dos versos. O autor não muda o assunto apenas porque não pode manter a rima ou a métrica em harmonia com o tema iniciado... não é um conjunto de fragmentos e ideias...”

7 “O sétimo padrão de um hino excelente é ausência de afirmações místicas. Alguns hinos são levemente místicos... devemos evitar usá-los. Um bom hino usará as figuras e a linguagem bíblicas onde for possível, mas não se tornará intencionalmente alienado da realidade...”
Para a formação desse livro de Salmos e hinos, buscamos por hinos que melhor expressam as doutrinas da graça soberana; e ao fazê-lo seguimos essas sete qualidades ou padrões, enunciados acima, como critério de triagem, tradução e composição.

Que o Senhor se apraza em usar esse livro de Salmos e hinos em Sua Igreja em toda parte, e o amplie com mais Salmos e hinos dignos de Sua adoração. Para a glória e louvor do Seu nome em Sua Igreja deste lado do Céu.

Pr. Ábner E.A. Araújo




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